Tipo: Atletismo
Distância: 42.2 km (Maratona)
Sapatilhas: Saucony Kinvara 4
O pequeno-almoço
O meu pequeno-almoço habitual antes de uma prova, especialmente se for longa é sempre o mesmo: frutos secos com banana. Adicionalmente posso colocar mel, mas não me apeteceu. O porquê deste pequeno-almoço é simples: com os frutos secos ingerem-se muitas calorias sem ser necessário comer muito, deixando o estômago satisfeito mas não cheio e garantindo uma boa dose calórica para o esforço que aí vem. Ter o estômago cheio antes de uma prova não é muito aconselhável.
A prova
O início foi calmo e assim o deveria ser. O que sempre me disseram e acabei por constatar, é que o mais difícil a início é ter cabeça para conter o ritmo no primeiro terço da prova (até ao quilómetro 15, mais ou menos), porque vamos confiantes e ainda nos sentimos bem, só que por vezes esquecemo-nos que ainda temos mais de duas dezenas de quilómetros pela frente. Outra coisa que me disseram é que a prova começava realmente ao quilómetro 30 (tens toda a razão Paulinho).
O grupo do marcador de pace das 3 horas
Segui entre os 4:05 e os 4:15 min/km até apanhar o marcador de pace* das 3 horas e fui com este. O grupo que seguia junto deste marcador de pace era numeroso, seríamos à volta de 20 atletas e ia-me a sentir demasiado bem. Chegados os 12km (sensivelmente) decidi que tinha de ir, e fui. Lembro-me que na altura pensei "ainda te vais dar mal", mas a teimosia é uma coisa que abunda em minha pessoa.
O grupo de dois elementos ao qual me juntei depois da fuga
Fui na minha até encontrar um grupo de dois elementos e com eles fiquei. Pelo caminho ia aproveitando os abastecimentos para beber água e perguntar se algum dos meus companheiros de circunstância também queria. Fui também usando os 3 geles que levei comigo de forma a ir colocando algumas calorias de volta no organismo, mas devo dizer que não sou amante de geles: primeiro, porque sabem mal, depois porque o meu estômago não é fã, mas quando tem de ser, tem de ser!
Comecei a notar que um dos meus dois companheiros começara a quebrar, foi então que eu e o outro elemento decidiu seguir. Curiosamente, este companheiro que seguiu comigo levava um fato de triatlo (gente rija esta, a do triatlo).
O grupo dos Quenianos Brancos
Seguia eu com o meu companheiro do triatlo, quando de repente, a um ritmo avassalador seguia um grupo de quatro elementos que em tudo eram parecidos com os Quenianos, menos na cor. Este grupo de quatro magricelas com uma passada impressionante começou a impor-se sobre nós e, sem mais nem menos, fomos atrás deles. Devo confessar que se não fosse o companheiro do triatlo, eu ter-me-ia ficado com a passada que seguia até então, mas como este se decidiu colar, eu fui também. Foi a melhor coisa que fiz.
Entrei neste grupo, ao quilómetro 28 e depressa passei de um pace médio de 4:08 min/km para 3:58 min/km. Pela primeira vez eu estava realmente a gostar de correr a maratona: seguimos pela Avenida 24 de Julho até ao Terreiro do Paço, aproveitando sempre os abastecimentos para “roubar” uma ou duas águas para mim e para o grupo. Foi aí que senti o momento alto desta maratona com as pessoas que assistiam à prova no Terreiro do Paço a se aperceberem que seguíamos a um ritmo realmente bom (para amadores). Nessa altura perdi a conta a palmas, gritos de incentivo, sorrisos e todo esse tipo de coisas que toda a gente gosta de sentir durante a prova. Rapidamente o grupo ficou contagiado pela motivação e energia que o público passou e chegou-se aos 2:47 min/km de pace em plenos 31km de prova. Eu olhei para o GPS e ri-me para dentro, ao mesmo tempo pensava que com um ritmo daqueles, não tardaria muito até que alguém começasse a quebrar, o que seria uma pena pois neste tipo de desporto não existem inimigos: existem companheiros de circunstâncias e até certa altura só queremos que todos cheguem ao fim no melhor tempo possível, pelo menos é assim que eu penso e foi isso que senti.
Tal como previa, começaram as quebras: o meu amigo do triatlo já havia quebrado antes do Terreiro do Paço e agora era a vez de dois dos “Quenianos Brancos” começarem a quebrar. Eu segui com os outros dois que restavam. Fomos juntos por dois quilómetros e foi aí que tive dificuldades. Só sei que estes dois elementos que seguiam à minha frente corriam como tudo e, em pleno quilómetro 36 adotei uma técnica inédita para mim: fechava os olhos durante uns 5 segundos e acelerava, na tentativa de ficar com eles. Repeti isto um sem número de vezes, ao estilo do “quero comer a sopa, mas não gosto, então vou fechar os olhos para não sentir o sabor”. Quase que resultou! Ou não! Quebrei e passei de um pace abaixo dos 4 min/km para 4:30 min/km.
Só mas nunca abandonado!
Do quilómetro 36 ao 42 foi uma luta. Foi aí que tive de falar muito para dentro, concentrar-me, convencer a minha perna esquerda que teria de ser mas a “corna” não me queria dar ouvidos. Confesso, estes últimos quilómetros foram dolorosos porque abusei quando entrei no último grupo, mas a verdade é que se não o tivesse feito, ficaria ruído por dentro, arrependido e chateado comigo mesmo. Custou, mas valeu a pena. Nestes últimos 6 quilómetros penei mas nunca corri acima dos 4:30 min/km, nunca parei e adorei cada penoso e doloroso metro. Comecei a recuperar quando comecei a ver o grupo de amigos dos Village Runners que já tinham terminado a meia-maratona (que decorreu em simultâneo) e quando vi a minha namorada (a minha coisa boa) e o meu primo (que é como um irmão para mim), que também tinham ido fazer a meia-maratona. O meu primo gritou “Abaixo das 3 horas!” a minha namorada, “vai chouriço, pareces uma menina a correr!” e foi aí que fiquei ofendido e comecei a correr mais rápido (mentira).
No final cruzei a meta com um tempo de chip a rondar as 2 horas 57 minutos e 30 segundos, na primeira vez que fiz a maratona. Fiquei em 36º da geral (contando com os Quenianos e com as Quenianas), 16º no meu escalão (e não é que os Quenianos eram todos do meu escalão?). Adorei, quero repetir mas agora quero treinar para a maratona!
Link do Garmin no Strava: http://www.strava.com/activities/88159732
Orgulho
Estou muito orgulhoso da minha Anastasiya por ter terminado a meia-maratona e o ter feito “nas boas” num tempo igual à sua melhor marca na distância. Estou muito orgulhoso do meu primo Paulo que, mesmo tendo a clavícula partida, fez a meia-maratona em five-fingers (ele que ia para fazer a mini-maratona por ter partido a clavícula e na curva que separava estas duas provas enganou-se de propósito). Estou muito orgulhoso dos restantes Village Runners que fizeram a meia-maratona, em especial nos que se estrearam (grande Traquino). Estou muito orgulhoso de todos os Village Runners que fizeram a maratona (todos pela primeira vez) e aqui tenho que realçar nomes: Ivo Roque, Aníbal Nobre, Cristina Pereira, Pedro Nobre, Raquel Carvalho (primeira portuguesa a chegar!!) e Pedro Rodrigues! Muito obrigado a todos vós por existirem e me motivarem.
Já agora uma palavra à organização: execelente. Já havia feito a meia maratona Rock 'n' Roll em 2011 e admito que foi a melhor que já fiz. Bandas a tocar ao longo do caminho, pontos de hidratação bem colocados e concerto dos Xutos e Pontapés no final, foram, para mim, as mais-valias desta prova, juntando a beleza do percurso.
*marcadores de pace, são os indivíduos que vão neste tipo de provas com uma bandeira às costas referenciando o tempo em que estes estimam terminar a mesma. Neste caso vi para 3 horas até às 4 horas de 15 em 15 minutos (mas podiam haver mais).




Sem comentários:
Enviar um comentário